|
Os louros da parceria especial com a União Europeia vão inteiramente para a diplomacia cabo-verdiana, pois o tão procurado afastamento de um continente condenado ao insucesso foi finalmente alcançado. Foi mais fácil do que se pensa, pois a classe política cabo-verdiana sempre foi uma aluna bem comportada, acatando obedientemente as indicações dos organismos internacionais.
Os políticos cabo-verdianos não foram bons comunistas, não se alinharam nos Não-Alinhados e nem se embrenharam no Pan-Africanismo que agora serve de desculpa a Robert Mugabe depois de Londres lhe ter fechado a torneira. Só se empenharam mesmo a fundo foi no corte do cordão umbilical com a África.
Tudo parece correr bem. E os diplomatas cabo-verdianos nem se importam, serão o "brinquedo preferido" da União Europeia na cimeira com o continente. Vão jogar pesado. E é com a inveja, mostrando aos restantes de que se se portarem bem, terão o tratamento de excepção que os bem comportadinhos ilhéus terão.
Lá se esvaziou a tremenda responsabilidade e pesada tarefa de gestão de um País de Desenvolvimento Médio a partir de Janeiro de 2008 quando Cabo Verde deixar oficialmente o clube dos pobrezinhos, pois contará com as benesses europeias. Assim, a equipa de José Maria Neves, que não sabe fazer negócios segundo o Banco Mundial no seu relatório "Doing Business 2008", vai deixar, inevitavelmente, tudo na mesma.
O elenco governamental foi incapaz de materializar uma única medida de incentivo à criação de emprego e geração de riqueza nos últimos dois anos, falhando assim por completo na definição das reformas prioritárias. O recurso ao menor esforço descambou numa política económica excessivamente centrada no turismo. O sol e praias foram presentes divinos, juntando a edificação dos hotéis a cargo dos investidores e aí têm a fórmula do dinheiro em Cabo Verde.
O que diz o tal relatório é que o modelo de desenvolvimento, se é que tal existe, está errado. Dito de outra forma, aí estão as razões dos 18,3 por cento na taxa de desemprego. O TPC está ainda por fazer.
|